Negócio cambial da banca moçambicana cresce 4,7% no terceiro trimestre para 4.280 ME
Os negócios cambiais da banca moçambicana com clientes cresceram 4,7%, para 4.893,8 milhões de dólares (4.280 milhões de euros), do segundo para o terceiro trimestre do ano, segundo dados do Banco de Moçambique.
De acordo com o mais recente Boletim dos Mercados Monetário Interbancário e Cambial, relativo ao terceiro trimestre de 2026, o volume total de negócios dos bancos nas operações cambiais com clientes aumentou face aos 4.675,2 milhões de dólares (4.088 milhões de euros) registados entre abril e junho.
De acordo com o boletim, as compras de divisas pelos bancos aos clientes ascenderam a 2.271,1 milhões de dólares (1.986 milhões de euros) no terceiro trimestre, mais 12,5% do que os 2.018,1 milhões de dólares (1.764 milhões de euros) contabilizados no trimestre anterior.
No mesmo período, as vendas totalizaram 2.064,5 milhões de dólares (1.806 milhões de euros), um aumento de 1,8% face aos 2.028,4 milhões de dólares (1.773 milhões de euros) registados entre abril e junho.
Já as operações com derivados financeiros equivaleram a 558,2 milhões de dólares (488 milhões de euros), abaixo dos 628,7 milhões de dólares (549 milhões de euros) registados no segundo trimestre.
O Banco de Moçambique refere que a evolução do mercado cambial junto dos clientes refletiu, entre outros fatores, "conversões extraordinárias, bem como a retoma dos projetos de exploração do gás natural liquefeito", contribuindo para o aumento das transações no período.
Paralelamente, o boletim destaca a estabilidade da moeda nacional face ao dólar ao longo de todo o terceiro trimestre. "As taxas de câmbio efetiva e de referência mantiveram-se praticamente inalteradas ao longo do trimestre", indica o documento.
No final de setembro, a taxa de câmbio efetiva situava-se em 63,91 meticais por dólar, enquanto a taxa de referência era de 64,13 meticais por dólar, mantendo-se próximas dos níveis observados no final de junho.
O Banco de Moçambique prevê lançar ainda este ano uma plataforma digital para monitorizar em tempo real as operações cambiais, mas rejeita que haja falta generalizada de divisas.
A intenção foi avançada pelo governador do Banco de Moçambique, Felisberto Navalha, em 30 de setembro, no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), na qual sustentou que os dados disponíveis apontam para uma melhoria da liquidez em moeda estrangeira no país, necessária desde logo para as importações das empresas.
"Nós queremos, até final de dezembro, final deste ano, colocar à disposição do sistema bancário, colocar à disposição do mercado, uma plataforma que permite em tempo real o Banco de Moçambique monitorar o volume de divisas que os exportadores colocam no sistema para venda, para os bancos, e consequentemente a que preço estão a colocar, e simultaneamente verificar em tempo real o volume de divisas que o mercado, os importadores, estão a procurar e a que preço os bancos estão a colocar", disse.
Segundo Navalha, a nova ferramenta permitirá acompanhar simultaneamente as divisas disponibilizadas pelos exportadores, os preços praticados, a procura dos importadores e as taxas às quais os bancos comercializam moeda estrangeira.
Nas declarações aos jornalistas no final da reunião, a primeira em que participou naquele cargo, o governador rejeitou, contudo, que os constrangimentos reportados por empresas na obtenção de moeda estrangeira resultem de uma escassez generalizada de divisas no mercado.
Navalha admitiu assim que possam existir situações pontuais de insuficiência de moeda estrangeira em determinadas instituições financeiras, mas sublinhou que isso não significa necessariamente uma falta de divisas à escala de todo o mercado.
"Pode ser numa instituição e não no mercado como um todo", reiterou, garantindo: "Queria tranquilizar a dizer que neste momento os números que nós temos apontam para uma melhoria cada vez crescente da liquidez em moeda estrangeira no nosso mercado".